quinta-feira, 12 de março de 2020

Tabus e Mitos

Nascemos noutros tempos, especialmente eu, que sou bem mais velho do que tu. Tempos em que tudo era tabu, tudo era pecado. Todos falavam de tudo sem nada saberem. Todos falavam de todos. Ninguém sabia de nada, nem de si próprio. O casamento era até que a morte nos separe. As mulheres ficavam em casa a tratar dos filhos, era rara a que trabalhava fora de casa. Teriam que ser submissas e cumpridoras dos seus deveres como esposa. Unhas pintadas? Calças? Nem pensar, isso era só para determinadas mulheres. Com os anos as mentalidades mudaram, felizmente, mas nem todas, pois houve ainda algumas que se mantiveram no ontem. Entre um casal era impensável, a mulher tomar a iniciativa, para tudo o que se relacionasse com sexo. Seria logo apelidada de maluca ou até mesmo de “puta”, o que ofendia e doía muito mais. Por seu turno, os homens, maridos, também não pediam tudo o que lhes dava prazer, à mulher com quem tinham casado, “isso” e mais “aquilo” só com as “meninas” a quem pagavam para os satisfazer. E assim ao longo dos anos, foram os casamentos de nossos avós, de nossos pais e até mesmo os nossos. Quando te conheci, já pintavas as unhas, já usavas calças, já trabalhavas fora de casa, mas, não eras independente. Dependias das vontades menos próprias e higiénicas a que te “obrigavam”. O teu marido nesse aspecto até era para a frente, apenas não sabia como sê-lo. Era egoísta, apenas pensava no seu belo prazer sem pensar que tu também terias que sentir prazer idêntico. Exigia de ti e forçava-te a fazer o que não desejavas, a troco de algo que depois te ofertava. Ao fim e ao cabo, tratava-te como se de uma prostituta se tratasse. Sofrias física e psicologicamente. Ira para casa, só de pensar, era muitas vezes um suplicio. No meu caso, a situação nem de longe nem de perto se equiparava, no entanto, com a minha mulher, também não conseguia ser feliz nem sentir realizado. Talvez daí a minha fase de marialva, na procura de alguém a quem me entregar de coração e alma, sendo e fazendo-a feliz. Encontrei-te! Encontrámo-nos! E fomos felizes! Maria Antonieta Oliveira 12-03-2020

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